Primeiros moradores do Rio de Janeiro

Quando os portugueses atracaram no Rio de Janeiro encontraram os verdadeiros donos dessas terras, os índios. Os colonizadores tiveram seu primeiro contato com os Tupinambás, da família Tupi, em aldeias formadas por cerca de 500 a 3000 indígenas cada.

O povo fluminense era formado por índios das famílias Tupi e Puri, e nas terras do estado eram falados, pelo menos, 20 idiomas diferentes pertencentes a quatro grandes grupos linguísticos: o Tupi, Puri, Botocudo e Maxacali. A localização de suas tribos é imprecisa, pois a procura de novas terras para plantio, território para caça e conflitos intertribais causaram a constante movimentação do povo.

O índios tupis tinham como característica principal o pensamento no grupo. O pensamento individualista não fazia sentido para eles, já que eles só reconheciam como posse suas armas e enfeites.

O resultado da caça, colheita e pesca era partilhado com todos da comunidade. A agricultura da tribo estava no plantio de mandioca, abóbora, amendoim, feijão, pimenta, tabaco, árvores frutíferas e algodão, que servia de matéria prima para a produção de suas redes.

Muito alegres e apaixonados por música e dança, os índios eram capazes de prever as chuvas e grandes marés. Os males do corpo eram curados com as plantas da mata, pois conheciam as propriedades medicinais das ervas. Entretanto, essas aldeias, ricas em tradições, foram dizimadas por epidemias, escravidão e guerras nos séculos XVI e XVII.

Os índios Goitacás, da família dos Puri, habitavam a região do município de Campos. Os moradores da tribo eram exímios nadadores e habilíssimos na corrida e na utilização do arco e flecha. O seu contato com os colonizadores, até o século XVIII, foi muito restrito, pois viviam no interior. Contudo, combateram portugueses e franceses desdo o início da colonização, resistindo até os séculos XVIII e XIX.

O processo de colonização portuguesa tinha como seus pilares a usurpação das terras e a exploração de força de trabalho, com isso, o espaço dos indígenas foi praticamente extinto. O território foi divido em sesmarias e os morros estavam ocupados pelos jesuítas, pouco sobrando para as aldeias.

Por essas razões, a colonização portuguesa não se realizou de forma pacífica. Os índios Goitacás destruíram a povoação e os engenhos de açúcar construídos em seu território duas vezes, obrigando o donatário Pero de Góes a abandonar a região em 1545.

Os grandes guerreiros da família Tupi, que ocupavam a região do Rio de Janeiro até Ubatuba, formaram uma confederação de tribos e aliaram-se aos franceses para enfrentar os portugueses das capitanias do sul. Eles só perderam o conflito, que durou dez anos, com o reforço do Espírito Santo, São Vicente e dos índios Temiminós, liderados por Araribóia, aliados dos franceses que viviam na Baía de Guanabara. Os poucos indígenas que conseguiram sobreviver, fugiram para além da Serra do Mar.

A Coroa Portuguesa doou para Araribóia, depois da derrota dos Tupi, terras da cidade de Niterói. Mesmo sendo aliados, os Temiminós também foram expulsos da região pelos colonos portugueses e seus últimos sobreviventes amargaram a miséria até o século XIX, na aldeia de São Lourenço.

Dos inúmeros aldeamentos existentes no Rio, formados em sucessivas datas ao longo de um período colonial, muitos deram origem a atuais cidades e sedes de municípios. Apenas quinze conseguiram chegar ao século XIX conservando elementos da identidade tribal: Aldeia de São Lourenço - Niterói; Aldeia de São Barnabé - Itaboraí; Aldeia de São Francisco Xavier - Itaguaí; Aldeia Nossa Senhora da Guia - Mangaratiba; Aldeia de São Pedro - Cabo Frio; Aldeia Sacra Família de Ipuca - Casemiro de Abreu; Aldeia Nossa Senhora das Neves - Macaé; Aldeia de Santa Rita - Cantagalo; Aldeia Santo Antônio de Guarulhos - Campos; Aldeia de São Fidélis de Sigmaringa - São Fidélis; Aldeia São José de Leonissa ou Aldeia da Pedra - Itaocara; Aldeia Santo Antonio de Pádua - Santo Antonio de Pádua; Aldeia de São Luis Beltrão - Resende; Aldeia Nossa Senhora da Glória - Valença; Aldeia de Santo Antonio do Rio Bonito – Conservatória.

Os primeiros moradores do Rio de Janeiro também foram os primeiros escravos do Brasil, também chamados de “negros” da terra ou de “gentíos”. O extermínio das aldeias causou a perda da rica cultura indígena, que tanto tinha a ensinar sobre a vida e a adaptação nos ecossistemas tropicais.

Fonte: Texto adaptado do portal do Governo do Estado.

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