Fundação de Belo Horizonte

A Cidade de Minas originou-se, por volta de 1701, da procura de ouro coordenada pelo bandeirante João Leite da Silva Ortiz que atingiu a Serra de Congonhas. Ao invés do ouro, o bandeirante acabou se deparando com um local de belas paisagens, ladeado pela Serra, de clima ameno e propício à agricultura. Resolveu estabelecer-se no lugar, construindo a Fazenda do Cercado, com sua pequena plantação e criação de gado.

A Fazenda ia progredindo e atraindo cada vez mais pessoas. A partir desse pequeno agrupamento, um arraial começava a se formar ao redor da Fazenda. Viajantes e tropas que por ali passavam, conduzindo gado da Bahia para as minas, tinham o arraial como ponto de parada. O pequeno povoado foi então batizado de Curral del Rei e a Serra que era chamada de Congonhas mudou seu nome para Serra do Curral. E os viajantes que rotineiramente circulavam por ali pediam proteção à Nossa Senhora da Boa Viagem, que acabou tornando-se a padroeira do local.

Aos poucos, o Curral del Rei foi crescendo, basicamente pela sua lavoura (cujas frutas eram vendidas para outros locais), criação e comércio de gado e a fabricação de farinha. Poucas fábricas, ainda muito simples, instalaram-se pela região, produzindo algodão e fundindo ferro e bronze. Das pedreiras, extraía-se granito e calcário.

Com a decadência da mineração no estado, o arraial se expandiu. As 30 ou 40 famílias existentes no início, passaram a ser 18 mil habitantes. Na época, o Curral del Rei englobava as regiões de Sete Lagoas, Contagem, Santa Quitéria (Esmeraldas), Buritis, Capela Nova do Betim, Piedade do Paraopeba, Brumado Itatiaiuçu, Morro de Mateus Leme, Neves, Aranha e Rio Manso.

Em seguida, vieram as primeiras escolas e o comércio ia se desenvolvendo. No centro do arraial, os devotos ergueram a Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Porém, esse ciclo de prosperidade durou pouco. As regiões que constituíram o arraial foram se separando dele, tornando-se autônomas. A população acabou diminuindo e, por consequência, a economia começava a decair. No final do século XIX, eram cerca de 4 mil habitantes.

A rotina de vida no arraial era simples e monótona, com boa parte do dia dedicado ao trabalho em casa ou na lavoura. O entretenimento era conseguido nos pequenos pontos de comércio que resistiram à diminuição da população. Por volta das 19h, muitos começavam a se recolher e em alguns dias da semana, à noite, era comum as mulheres se reunirem para fazer novenas, enquanto os homens improvisavam conversas em algo como um boteco. Nos fins de semana o arraial ganhava vida, quando os moradores das redondezas vinham participar das missas ou visitar parentes. Mas era nas datas especiais que o arraial tornava-se mais alegre: nas Festas Juninas, no Natal ou no Dia da Padroeira.

Contudo, esse cenário bucólico iria se modificar. Com a Proclamação da República (1889), a esperança de novas transformações na localidade começava a despontar. Deixando o passado monárquico do Brasil para trás, em 1893, foi proposta a mudança da capital de Minas Gerais, Ouro Preto para o Curral del Rei, pois a antiga capital não tinha estrutura que permitisse expansão urbana. Foi com euforia que os moradores receberam a notícia da nova construção da nova capital. Durante três dias houve muita comemoração. O Arraial pôs-se em festa, com missa solene, discursos, bandas de música e bailes. E os habitantes já sonhavam com a modernização e o progresso que o título de capital traria para a região.

A nova capital foi inaugurada e transferida oficialmente em 12 de dezembro de 1897, chamando-se Cidade de Minas. A cidade foi então planejada e construída inspirada nos modelos urbanos de Paris e Washington, e seu projeto foi executado de 1894 a 1897 de modo que pudesse acompanhar o crescimento e a expansão urbana e demográfica que lhe era esperada. Ao ser inaugurada, Cidade de Minas contava com uma população de 10 mil habitantes. O nome da cidade mudaria para Belo Horizonte somente em 1901 e com o passar dos anos, o crescimento da capital mineira seria vislumbrado em toda sua grandiosidade, perspassando os dias atuais.

 

Fonte: Portal Online da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

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